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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Campanha da Fraternidade 2013 será lançada na Diocese de Mogi das Cruzes no próximo domingo, dia 20

No próximo domingo, dia 20, às 18h, acontece a missa de abertura da Campanha da Fraternidade 2013 na Diocese de Mogi das Cruzes, presidida pelo bispo Dom Pedro Luiz Stringhini, na Catedral Sant’Ana, localizada na Praça Coronel Benedito de Almeida, s/nº, em Mogi das Cruzes.

Neste ano, o tema da CF-2013 é “Fraternidade e Juventude” e o lema “Eis-me aqui, envia-me!” (Is 6,8), e já anuncia a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que será em julho na cidade do Rio de Janeiro e convoca a todos a serem verdadeiros missionários, principalmente, os jovens.

Serviço:
Diocese de Mogi das Cruzes
Avenida Francisco Rodrigues Filho, 248 – Vila Mogilar – Mogi das Cruzes/SP
Tel: (11) 4724-9734
Site: www.diocesedemogi.org.br

Luciana Martins - Assessoria de Imprensa
Tel: (11) 995.181.216
Atendimento na Cúria Diocesana: às quartas-feiras, 14h30 às 17h00
E-mail: imprensacuriamogi@gmail.com

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Visita ao Haiti

Encontro-me no Haiti desde o dia 8 de janeiro. Vim para cá com o Padre Gianpietro Carraro e alguns outros missionários e voluntários da Missão Belém. Fomos acolhidos e hospedados num centro missionário dos Padres Carlistas, que ficou em pé depois do terremoto; ali também estão abrigadas as religiosas da CRB, que vieram para trabalhar no Haiti, além da comunidade do Seminário Maior Diocesano do Haiti, com mais de 200 seminaristas.

Fizemos visita ao Arcebispo de Porto Príncipe, que estava reunido com vários sacerdotes, em retiro. Contou-nos um pouco sobre a situação da Igreja neste tempo posterior ao terremoto. Ainda falta reconstruir muitas igrejas, as missas continuam a ser celebradas debaixo de tendas, a construção do Seminário ainda não começou... A visita à catedral, em ruínas, é desoladora. No entanto, andando pelas ruas, já não se veem mais tantos sinais do terremoto; os materiais foram removidos e a maioria das casas recuperáveis parece ter sido reparada. Contudo, edifícios públicos, de governo, continuam em ruínas.

Ainda se observam grandes campos de tendas, onde as pessoas continuam a viver e a esperar uma casa para morar; muita gente também foi para as periferias da cidade e constituiu novas áreas de favelas, ocupando áreas disponíveis; outros, foram para as montanhas, perto de Porto Príncipe, onde o ar é melhor; também essas estão à espera de receber uma casinha. De fato, a poluição do ar é grande, além da poeira, pois é seco neste período.

Na visita ao Núncio Apostólico, pudemos ouvir uma nova explicação sobre a situação do país e sobre o fluxo das ajudas internacionais para a reconstrução do país. Uma breve visita aos Capelães do Brasil e do Paraguai, das Forças de Paz da ONU, também foi proveitosa para compreender o papel dessas forças internacionais, que continuam no Haiti, cuidando da segurança, mas em grau já diverso do início de sua presença; hoje já existe uma polícia haitiana, que começa a ter significado sempre maior para cuidar da ordem.

Passei a maior parte do tempo com os 7 missionários da Missão Belém, que estão estavelmente no Haiti. Eles vieram para cá há cerca de 2 anos e já estão fazendo um trabalho de grande significado e valor em Warf Jeremie, um bairro distante do centro de Porto Príncipe; trata-se de uma favela formada sobre um lixão imenso, onde as pessoas vivem em barracos paupérrimos, em condições degradantes para a dignidade humana, sobre o lixo, junto com um canal de esgoto a céu aberto, com porcos por todo lado e um mau cheiro insuportável. Dizem que seriam mais de 200 mil pessoas! Por toda parte, muitas crianças! Não há ruas, nem luz, nem água encanada. Não há trabalho e as pessoas procuram fazer bico para sobreviver.
Nesse bairro, já existem vários trabalhos sociais, de diversas organizações. Foi ali também que a Missão Belém iniciou, com o apoio de benfeitores de São Paulo e da Itália, um centro de acolhida para crianças; foram construídas várias casinhas simples, mas decentes, com salas para acolher crianças; funciona como uma escolinha, que já acolhe cerca de 450 crianças, desde 6 meses até 8 anos; a maioria delas são bem pequenas e isso requer a ajuda de voluntários e assalariados. A manutenção é assegurada por apadrinhamentos à distância e pela Providência de Deus...

A visita às salas foi comovente; as crianças estão limpinhas, bem nutridas, os olhinhos brilhando...Passam o dia inteiro ali e recebem alimentação 3 vezes ao dia. À tarde, voltam para suas mães. Se não estivessem ali, provavelmente estariam brincando sobre o lixo, em meio ao esgoto, passando fome... Com as crianças, os pais, sobretudo as mães, também são envolvidas na escolinha e aprendem a fazer muitas coisas úteis. Uma vez por semana, uma das religiosas da CRB, que é enfermeira, vai lá e dá alguma assistência à saúde.
Os missionários visitam as casas, promovem várias ações de evangelização com o povo e já falam o creolo fluentemente... Vi que são bem aceitos e bem quistos pelo povo. Eles mesmos também vivem numa choupana precária e muito pobre, como são as do povo, para compartilhar concretamente a vida daquela população.

Fizemos uma via sacra no meio da favela, esgueirando-nos entre os barracos, onde não existem ruas... Foi uma experiência chocante ver de perto onde e como vivem aquelas pessoas. A ideia de Jesus, que continua a carregar a cruz nas dores e sofrimentos da humanidade, foi muito forte.

Hoje, 12 de janeiro, transcorre o 3. Aniversário do terrível terremoto, no qual perderam a vida mais de 300 mil pessoas; entre elas, também Dra. Zilda Arns, que tinha vindo para cá para fundar a Pastoral da Criança. Rezarei uma Missa num santuário, lembrando de todas as vítimas. Já tive contatos com as religiosas da CRB, que estão empenhadas em várias frentes de trabalho para ajudar a população a retomar a vida; há várias congregações, de diversos países, bem como grupos de voluntários, fazendo o mesmo.

O Haiti continua sendo um país muito pobre e devastado; mas tem muitas possibilidades e, com muitos pequenos “milagres”, motivados pela solidariedade e a caridade fraterna, certamente conseguirá superar a situação atual.

Porto Príncipoe, 12.01.2013.

Card. Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo e Presidente do Regional Sul 1 da CNBB

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Dom Odilo convida participantes do Curso de Verão a ‘darem testemunho de fé’

Na manhã desta segunda-feira, 7, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, esteve presente na abertura do segundo dia do 26º Curso de Verão, promovido pelo CESEEP, que tem como tema “Redes Digitais: Tecendo Relações, construindo comunidades, exercendo cidadania”.

Durante a sua saudação, o cardeal destacou que este é um momento muito especial para conhecer e “desfrutar da cidade, mas, sobretudo do Curso de Verão”. Dom Odilo ressaltou que o tema das redes é um assunto que está em voga na sociedade hoje em dia. “Ontem ainda eu escutava sobre em que estamos apenas no ‘B-A-BA’, que virá a ser toda essa temática da comunicação em rede, da nossa interação com as mídias, com as eletrônicas, que vai acabar com uma espécie de extensão de nós mesmos. No futuro nós estaremos muito mais conectados, não apenas para informação e não apenas de entretenimento, mas de comunicação vital, como por exemplo: nosso organismo, nosso corpo físico”, disse o arcebispo.

Dom Odilo causou riso nos participantes do 26º Curso de Verão, quando partilhou a informação divulgada em um programa dominical de televisão. Segundo a matéria exibida no programa, haverá uma casa inteligente que possibilitará aos seus moradores terem acessos à sua saúde a partir dos materiais e informações coletados pelos móveis e aparelhos instalados na residência. Como, por exemplo, um vaso sanitário inteligente que coleta informações a partir das fezes e já diz para o usuário as suas condições de saúde. Mesmo diante dos risos causados pela assembleia, o cardeal destacou que “isso poderá ser para o nosso bem, ou algo muito complicado se não for mantido dentro de parâmetros éticos e no controle daqueles que estiverem interessados”.

O arcebispo ainda refletiu sobre a influência das redes e da conexão dentro da vivência de fé. “Convido a todos os que creem e professam valores, para que usem dos meios virtuais para passar seu testemunho a fim de que este mundo seja melhor a partir da comunicação desses valores que traduzem a busca do mistério”, afirmou.

Fonte: Assessoria Comunicação Curso de Verão – Edcarlos

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Divulgada Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial do Enfermo

Cidade do Vaticano (RV) – A Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou na manhã desta terça-feira, 8, a mensagem de Bento XVI para o XXI Dia Mundial do Enfermo, que é celebrado em 11 de fevereiro, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes.

“Nesta circunstância, sinto-me particularmente unido a cada um de vós, amados doentes, que, nos locais de assistência e tratamento ou mesmo em casa, viveis um tempo difícil de provação por causa da doença e do sofrimento”, escreve o Pontífice.

Este ano, o Dia Mundial do Enfermo será celebrado de forma solene no Santuário mariano de Altötting, no sul da Alemanha, com o tema “Vai e faz tu também o mesmo”, extraído da parábola do Bom Samaritano narrada por São Lucas.

Com essas palavras, o “Senhor indica qual é a atitude que cada um dos seus discípulos deve ter para com os outros, particularmente se necessitados de cuidados. Trata-se, de auferir do amor infinito de Deus a força para viver diariamente uma solicitude concreta, como o Bom Samaritano, por quem está ferido no corpo e no espírito, por quem pede ajuda, ainda que desconhecido e sem recursos”.

Bento XVI cita ainda o Ano da fé, que “constitui uma ocasião propícia para se intensificar o serviço da caridade nas nossas comunidades eclesiais, de modo que cada um seja bom samaritano para o outro, para quem vive ao nosso lado”.

Por fim, o Pontífice dirige um pensamento de gratidão e de encorajamento às instituições sanitárias católicas e à própria sociedade civil, às dioceses, às comunidades cristãs, às famílias religiosas comprometidas na pastoral sanitária, às associações dos operadores sanitários e do voluntariado.

Leia a íntegra da Mensagem do Papa:

«Vai e faz tu também o mesmo» (Lc 10, 37)

Amados irmãos e irmãs!

1. No dia 11 de Fevereiro de 2013, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, celebrar-se-á de forma solene, no Santuário mariano de Altötting, o XXI Dia Mundial do Doente. Este dia constitui, para os doentes, os operadores sanitários, os fiéis cristãos e todas as pessoas de boa vontade, «um momento forte de oração, de partilha, de oferta do sofrimento pelo bem da Igreja e de apelo dirigido a todos para reconhecerem na face do irmão enfermo a Santa Face de Cristo que, sofrendo, morrendo e ressuscitando, operou a salvação da humanidade» (João Paulo II, Carta de instituição do Dia Mundial do Doente, 13 de Maio de 1992, 3). Nesta circunstância, sinto-me particularmente unido a cada um de vós, amados doentes, que, nos locais de assistência e tratamento ou mesmo em casa, viveis um tempo difícil de provação por causa da doença e do sofrimento. Que cheguem a todos estas palavras tranquilizadoras dos Padres do Concílio Ecuménico Vaticano II: «Sabei que não estais (…) abandonados, nem sois inúteis: vós sois chamados por Cristo, a sua imagem viva e transparente» (Mensagem aos pobres, aos doentes e a todos os que sofrem).

2. Para vos acompanhar na peregrinação espiritual que nos leva de Lourdes, lugar e símbolo de esperança e de graça, ao Santuário de Altötting, desejo propor à vossa reflexão a figura emblemática do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37). A parábola evangélica narrada por São Lucas faz parte duma série de imagens e narrações tomadas da vida diária, pelas quais Jesus quer fazer compreender o amor profundo de Deus por cada ser humano, especialmente quando se encontra na doença e no sofrimento. Ao mesmo tempo, porém, com as palavras finais da parábola do Bom Samaritano – «Vai e faz tu também o mesmo» (Lc 10, 37) –, o Senhor indica qual é a atitude que cada um dos seus discípulos deve ter para com os outros, particularmente se necessitados de cuidados. Trata-se, por conseguinte, de auferir do amor infinito de Deus, através de um intenso relacionamento com Ele na oração, a força para viver diariamente uma solicitude concreta, como o Bom Samaritano, por quem está ferido no corpo e no espírito, por quem pede ajuda, ainda que desconhecido e sem recursos. Isto vale não só para os agentes pastorais e sanitários, mas para todos, incluindo o próprio enfermo, que pode viver a sua condição numa perspectiva de fé: «Não é o evitar o sofrimento, a fuga diante da dor que cura o homem, mas a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido através da união com Cristo, que sofreu com infinito amor» (Enc. Spe salvi, 37).

3. Diversos Padres da Igreja viram, na figura do Bom Samaritano, o próprio Jesus e, no homem que caiu nas mãos dos salteadores, Adão, a humanidade extraviada e ferida pelo seu pecado (cf. Orígenes, Homilia sobre o Evangelho de Lucas XXXIV, 1-9; Ambrósio, Comentário ao Evangelho de São Lucas, 71-84; Agostinho, Sermão 171). Jesus é o Filho de Deus, Aquele que torna presente o amor do Pai: amor fiel, eterno, sem barreiras nem fronteiras; mas é também Aquele que «Se despoja» da sua «veste divina», que baixa da sua «condição» divina para assumir forma humana (cf. Flp 2, 6-8) e aproximar-Se do sofrimento do homem até ao ponto de descer à mansão dos mortos, como dizemos no Credo, levando esperança e luz. Ele não Se vale da sua igualdade com Deus, do seu ser Deus (cf. Flp 2, 6), mas inclina-Se, cheio de misericórdia, sobre o abismo do sofrimento humano, para nele derramar o óleo da consolação e o vinho da esperança.

4. O Ano da fé, que estamos a viver, constitui uma ocasião propícia para se intensificar o serviço da caridade nas nossas comunidades eclesiais, de modo que cada um seja bom samaritano para o outro, para quem vive ao nosso lado. A propósito, desejo recordar algumas figuras, dentre as inúmeras na história da Igreja, que ajudaram as pessoas doentes a valorizar o sofrimento no plano humano e espiritual, para que sirvam de exemplo e estímulo. Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, «perita da scientia amoris» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 42), soube viver «em profunda união com a Paixão de Jesus» a doença que a levou «à morte através de grandes sofrimentos» (Audiência Geral, 6 de Abril de 2011). O Venerável Luís Novarese, de quem muitos conservam ainda hoje viva a memória, no exercício do seu ministério sentiu de modo particular a importância da oração pelos e com os doentes e atribulados, que acompanhava frequentemente aos santuários marianos, especialmente à gruta de Lourdes. Movido pela caridade para com o próximo, Raul Follereau dedicou a sua vida ao cuidado das pessoas leprosas mesmo nos cantos mais remotos da terra, promovendo entre outras coisas o Dia Mundial contra a Lepra. A Beata Teresa de Calcutá começava sempre o seu dia encontrando Jesus na Eucaristia e depois saía pelas estradas com o rosário na mão para encontrar e servir o Senhor presente nos enfermos, especialmente naqueles que não são «queridos, nem amados, nem assistidos». Santa Ana Schäffer, de Mindelstetten, soube, também ela, unir de modo exemplar os seus sofrimentos aos de Cristo: «o seu quarto de enferma transformou-se numa cela conventual, e o seu sofrimento em serviço missionário. (...) Fortalecida pela comunhão diária, tornou-se uma intercessora incansável através da oração e um espelho do amor de Deus para as numerosas pessoas que procuravam conselho» (Homilia de canonização, 21 de Outubro de 2012). No Evangelho, sobressai a figura da Bem-aventurada Virgem Maria, que segue o sofrimento do Filho até ao sacrifício supremo no Gólgota. Ela não perde jamais a esperança na vitória de Deus sobre o mal, o sofrimento e a morte, e sabe acolher, com o mesmo abraço de fé e de amor, o Filho de Deus nascido na gruta de Belém e morto na cruz. A sua confiança firme no poder de Deus é iluminada pela Ressurreição de Cristo, que dá esperança a quem se encontra no sofrimento e renova a certeza da proximidade e consolação do Senhor.

5. Por fim, quero dirigir um pensamento de viva gratidão e de encorajamento às instituições sanitárias católicas e à própria sociedade civil, às dioceses, às comunidades cristãs, às famílias religiosas comprometidas na pastoral sanitária, às associações dos operadores sanitários e do voluntariado. Possa crescer em todos a consciência de que, «ao aceitar amorosa e generosamente toda a vida humana, sobretudo se frágil e doente, a Igreja vive hoje um momento fundamental da sua missão» (João Paulo II, Exort. ap. pós-sinodal Christifideles laici, 38).

Confio este XXI Dia Mundial do Doente à intercessão da Santíssima Virgem Maria das Graças venerada em Altötting, para que acompanhe sempre a humanidade que sofre, à procura de alívio e de esperança firme, e ajude todos quantos estão envolvidos no apostolado da misericórdia a tornar-se bons samaritanos para os seus irmãos e irmãs provados pela enfermidade e o sofrimento, enquanto de bom grado concedo a Bênção Apostólica.

Vaticano, 2 de Janeiro de 2013.
[Benedictus PP. XVI]

Fonte: Rádio Vaticano

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Quem nos vai trazer a paz?

No início do novo ano, brotam de todos os lábios espontâneos e efusivos votos de felicidade e de paz. Nada mais normal, pois olhamos para o futuro com esperança e gostaríamos que os males e tragédias do passado não nos acompanhassem na passagem para o tempo novo.

De onde, porém, nos pode vir a paz? Como nós imaginamos a paz? Guardada em algum lugar, embalada e prontinha para nosso uso e consumo? Ou, talvez, ela dependa da invocação de “bons fluidos”, de alguma energia cósmica, a ser acordada e atraída com o foguetório bonito, mas extremamente poluidor, da meia noite de 31 de dezembro? Depende das boas graças de divindades, donas da paz, que nos podem conceder, se bem quiserem, um pouquinho dela?

Na sua mensagem para o 46º Dia Mundial da Paz, que a Igreja Católica celebra todos os anos no dia 1º de janeiro, o papa Bento 16 nos lembra a promessa de Jesus: “bem-aventurados os promotores da paz; eles serão chamados filhos de Deus (Mt 5,9). Ele, Jesus, que veio ao mundo como o Príncipe da Paz, nos convida a sermos ativos obreiros da paz. No dizer de São Paulo, “Ele mesmo é a nossa paz”, que veio em nome do Deus da Paz para reconciliar a humanidade com Deus e entre si. A paz não é fruto de um passe de mágica, mas de atitudes coerentes e do esforço de todos e de cada um.

Verdadeira paz neste mundo já é possível, sobretudo para quem tem fé em Deus. O fundamento último e o sustento inabalável da paz é o próprio Deus; e quem está firme em Deus pode ser operador esperançoso e perseverante da paz. O Deus da paz vem em socorro de todos os construtores da paz e os reconhece como seus filhos: “serão chamados filhos de Deus”.

Vários fatores são determinantes e devem ser cultivados pelo homem para que haja a possibilidade da paz. Para começar, a própria religião deve servir à paz; contrariamente, se ela for usada como instrumento ideológico para a violência, ou como manifestação fanática e fundamentalista contra os outros, então ela não é verdadeira nem presta culto a Deus; nesse caso, é um desvio da religião, uma espécie de enfermidade religiosa.

Os obreiros da paz precisam estar empenhados na obra da justiça – “fruto da justiça é a paz” – e na busca da verdade. Sem esses dois fundamentos não haverá paz verdadeira e estável. Da justiça decorre o respeito pelos direitos humanos e pela dignidade inalienável de cada ser humano; o Papa faz referência à justiça econômica, em âmbito local e mundial; ao respeito pela vida das pessoas, em todas as fases da existência; como pode haver paz se o ser humano é humilhado, desrespeitado, desprezado, violentado, até mesmo no seu direito mais fundamental, que é o de viver?

A paz requer, além disso, a superação de hábitos e estilos de vida que comprometem o convívio pacífico: o egoísmo e o individualismo frios, insensíveis às necessidades e sofrimentos alheios; e requer o cultivo de atitudes positivas, como a solidariedade, a bondade, a capacidade de perdão e reconciliação, a gratuidade no serviço ao próximo, especialmente aos mais necessitados. Requer, enfim, respeito pela natureza, em vez da apropriação e exploração individualista dos bens dessa nossa “casa comum”.

Enfim, recorda o Papa, é preciso buscar a paz com perseverança e idealismo: a paz é possível, mas depende de uma cultura da paz, que se suscita e desenvolve mediante um processo envolvente de educação, que chama em causa todas as pessoas e agentes da vida social: instituições políticas, organizações da sociedade civil, organizações culturais, educacionais, religiosas... Muita educação para a paz pode dar mais chances à paz. Família e escola têm um papel preponderante na educação para a paz. Hábitos e atitudes violentas e antissociais são aprendidas; mas, também, as convicções, hábitos e atitudes de paz.

Desejo a todos os leitores um feliz e abençoado ano de 2013. Seja um ano de paz para todos! Sejamos todos “obreiros da paz”.

Publicado em O SÃO PAULO, ed. de 03.01.2013

Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e Presidente do Regional Sul 1 da CNBB.

Após cirurgia dom Joaquim se recupera bem




O bispo da Diocese de Guarulhos, dom Joaquim Justino Carreira (foto), passou por uma cirurgia no último sábado, 5, para a retirada de um tumor no intestino.

Segundo nota da Diocese de Guarulhos, o bispo permanecerá no hospital “por tempo ainda não determinado, para tratamentos complementares pós-cirúrgicos. As perspectivas de recuperação são muito boas e promissoras. Por enquanto, ele permanece na UTI, como é de praxe, e as visitas continuam restritas.”

 Dom Joaquim está internado desde o dia 29 de dezembro para a realização de exames.

Leia a íntegra da Nota da Diocese de Guarulhos sobre o estado de saúde do prelado.

3ª Nota sobre a saúde de Dom Joaquim Justino Carreira

Ao presbitério e diocesanos de Guarulhos
Seja bendito o nome do Senhor!

​Nosso querido Dom Joaquim foi hoje, dia 05 de janeiro, submetido à cirurgia para retirada de tumor no intestino. Deus guiou a mão dos médicos e a cirurgia teve grande êxito. Por volta das 17h, ele já estava falando, e muito consciente de tudo. Envia a todos sua afetuosa bênção e expressa seus mais sinceros agradecimentos pela união espiritual e solidariedade. Deverá permanecer no hospital por tempo ainda não determinado, para tratamentos complementares pós-cirúrgicos. As perspectivas de recuperação são muito boas e promissoras. Por enquanto, ele permanece na UTI, como é de praxe, e as visitas continuam restritas.

​Queremos agradecer sinceramente a todos os que estão devotando sua oração por nosso querido pastor; a força da oração do povo de Deus é a grande causa do sucesso dos procedimentos e da paz espiritual de nosso bispo.

Também agradecemos à equipe técnica e ao corpo clínico do Hospital Santa Catarina, bem como às irmãs da Congregação de Santa Catarina, pela acolhida e prontidão e profissionalismo.
​Nosso louvor a Deus pela disposição daqueles e daquelas que se dispuseram a doar sangue – a campanha está sendo muito bem sucedida e beneficiará outras pessoas.

Também nosso obrigado aos meios de comunicação, TV, rádio, internet, jornais e outros por sua colaboração.

Um agradecimento especial aos inúmeros bispos, padres, seminaristas, religiosas, e demais membros do povo de Deus que tem manifestado sua solidariedade e união espiritual. Permitam-me nomear o Cardeal Arcebispo de São Paulo Dom Odilo Pedro Scherer, por sua preocupação e carinho para com Dom Joaquim e para com a Igreja de Guarulhos.

Nosso querido pastor continua sua missão de santificar, ensinar e servir o povo de Deus, também quando está enfermo; sua fragilidade física tem expressado seu vigor espiritual e capacidade de congregar o rebanho de Cristo.

Continuemos nossas atividades pastorais: além da oração, é o melhor meio de unirmo-nos à missão de nosso pastor.

Que a Virgem Imaculada interceda por nós!

Padre Antonio Bosco da Silva
Vigário Geral da Diocese de Guarulhos

Guarulhos, 05 de janeiro de 2013.

Fonte: Site da Arquidiocese de Guarulhos. Com Redação da Diocese de Guarulhos

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Calendário 2013

Por D. Demétrio Valentini, Bispo de Jales

             A Bíblia nos recomenda contar bem os nossos dias. Os anos também!

              Já estamos vivendo mais um, de número 2013. Este número é próprio do calendário cristão, que por motivos práticos acabou sendo adotado universalmente, ao menos para fins de registros oficiais.

              Este calendário tem como característica maior a sincronia entre duas formas de contar os anos, seguindo o ciclo lunar, que é próprio do calendário judaico, e seguindo o ciclo solar, que é próprio do calendário romano.

           Já foram feitas diversas tentativas de unificar os dois critérios. De tal modo, por exemplo, que o dia primeiro do ano caísse sempre no mesmo dia da semana. E assim as outras efemérides, que teriam as mesmas referências fixas.

         Mas estas tentativas foram  inúteis, diante do impasse de não mexer na sequência dos dias da semana. Até hoje a contagem dos dias da semana nunca foi interrompida. Ao passo que no ajuste feito pelo Papa Gregório, se passou do domingo dia 04 de outubro de 1580, ao dia 15 de outubro, mas o dia seguinte foi mantida a segunda-feira, sem mexer, portanto, na contagem semanal, que nunca foi interrompida há séculos e séculos.

          Os judeus, com razão, se encontram bem mais adiantados do que nós com seu calendário. E os muçulmanos,  ao contrário, têm uns quantos anos a menos do que nós. Eles começam sua contagem no ano em que Maomé foi para Meca, quando o nosso calendário já tinha chegado a 622 anos.

             Existem outras culturas que não fazem questão de somar a sequência dos anos. Como os chineses, por exemplo. Para eles o calendário é rotativo, cada ano levando um nome, que periodicamente retorna. Enquanto os anos vão passando da mesma maneira!

            Seja como for, já nos encontramos dentro de um novo ano. Do ponto de vista das motivações religiosas, ele herdou do ano passado a marca da fé.

           Se  não podemos mexer nos calendários, é possível, isto sim, preenchê-los bem, com nossas boas motivações. Assim, não só contaremos bem nossos anos, mas os viveremos com intensidade. 
            Já nos encontramos, portanto, no Ano da Fé.  Ao longo deste ano,  teremos  oportunidade de acolher bem os diversos apelos que o Ano da Fé vem nos apresentando.

            Com esta atitude, sabendo-nos tão limitados a ponto de não garantirmos nem o dia seguinte, queremos desde agora confiar nas mãos de Deus todos os dias deste ano de 2013.

          O Senhor da história,  a quem pertencem o tempo e a eternidade , nos abençoe e nos proteja em cada dia deste novo ano, que queremos colocar por inteiro em suas mãos.